segunda-feira, 17 de setembro de 2007

AS DORES DA ESCRAVIDÃO



Mercêdes Pordeus
Recife/Brasil

Eles vieram de tão longe, traziam consigo o medo,
As incertezas eram suas companheiras desde cedo.
Traziam o sofrimento antecipado dos seus receios
E as dores dos açoites, que já sentiam nos navios.

Mal chegavam, já eram analisados como animais,
Vendidos como meras mercadorias, artigos banais.
Trabalhavam duro e sofriam o peso da escravidão,
A cada chicotada e a cada açoite, a dor da solidão.

A cada ano as esperanças da liberdade se dissipavam,
Os seus filhos nasciam e naquele regime continuavam.
Enquanto os mais velhos as dores do flagelo sofriam,
Os ecos da noite nos traziam os sons dos que gemiam.

Ao longe era refletida desses ecos a repercussão
E o reflexo do som trazia a forte dor da servidão.
Pelo negro, no nosso país, através da escravidão
De terras longínquas a saudade do seu natal torrão.

Mais navios negreiros que aportavam e a história se repetia
Movimentos no Brasil a escravidão, aos poucos, se extinguia.
Castro Alves o poeta abolicionista que os seus ideais escrevia,
Vozes da África, Navio Negreiro, Os Escravos, primeira poesia.

O poeta abolicionista marcou época com sua primeira poesia
Mais um nordestino que com força e garra, nascido na Bahia,
Seus estudos de Direito na Faculdade de Recife realizaria
E o seu grande apogeu no Rio de Janeiro, ele consolidaria.

Vinte anos se passaram após a morte do grande Poeta
Para se realizar seu almejado sonho, seu grito de alerta,
Decretada extinta a escravidão e o grande Brasil desperta
Na Lei Áurea está implícita a nobreza da alma do poeta.

26.12.2005

 

Um comentário:

A VIDA POR UM PENSAMENTO disse...

Este teu poema continua a ser um dos maiores gritos de alerta para todos nós.
A escravidão continua, em alguns lugares disfarçada, em outros nem tanto e que nos mostram a crua realidade do dominio do mais forte pelo mais fraco.
Creio mesmo nunca ser possivel erradicá-la da face da terra, pois ela está embutida nos nossos genes.
Contudo há que continuar a lutar pela sua total erradicação e extirpá-la tal como a um tumor.
Elogio o tema, o poema e a poeta.
Parabens